quarta-feira, 20 de outubro de 2010

A Arte de Ser Feliz!

A ARTE DE SER FELIZ

 Ainda no curso de Geografia, tive uma professora muito animada, competente, para cima e com ela aprendi uma coisa muito interessante: ninguém conscientiza ninguém, o que deve acontecer é um despertar da consciência da própria pessoa. É um processo de dentro para fora. Nesse sentido, as informações são necessárias evidentemente.
  Ouvindo alguns amigos, durante os conflitos internos do cotidiano, fiz uma analogia com a felicidade. A felicidade depende de cada pessoa e cada pessoa nasceu para ser feliz.
   Sempre que leio, ouço, sinto...as inquietudes alheias sobre a felicidade, me lembro dessa crônica de Cecília Meireles:

A Arte de Ser Feliz

HOUVE um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos
dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.

HOUVE um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê-las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.

HOUVE um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.

HOUVE um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra
esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma regra: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

MAS, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e
outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
Cecília Meireles

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Maria Osmarina Silva

Quando Marina Silva deixou o PT, em 19 de agosto de 2009, como muita clareza e verdade deixou em uma carta as seguintes palavras: ""Chego à conclusão de que, após 30 anos de luta socioambiental no Brasil é o momento não mais de continuar fazendo o embate para convencer o partido político do qual fiz parte por quase trinta anos, mas sim o do encontro com os diferentes setores da sociedade dispostos a se assumir, inteira e claramente, como agentes da luta por um Brasil justo e sustentável". Lembro-me como se fosse hoje que o Palácio do Planalto, naquele momento, já ficava desesperado com a sua possível candidatura à presidência da república. Hoje, 04 de outubro de 2010, um dia após Marina Silva ter saído a grande vitoriosa, não só do primeiro turno, mas de toda a eleição de 2010 com seus 19.636.337 votos,19,33% dos votos, ouvi inúmeros jornalistas, agora falando com sinceridade, que ela teve o melhor discurso da campanha. Um discurso ético, verdadeiro, que se aproximou do eleitor. Marina conseguiu, através da sua verdade, conquistar o eleitor. Consegui deixar como lição a necessidade de se olhar o meio ambiente como um todo: respondeu inúmeras vezes durante a campanha que meio ambiente não é só cuidar de planta e animais, mostrou que o meio ambiente é um todo que envolve educação, saneamento básico, saúde, segurança. Conseguiu, na minha opinião o ponto mais emocionante de sua vitória, fazer com os jovens se interessassem por política, por sustentabilidade. Deixou para a moçada o importante exemplo que podemos transformar nossa vida a qualquer tempo e quem ninguém nasce, como dizia Sartre, com um destino já traçado, como um abridor de garrafas. Nào concordo com cientistas políticos que afirmam que Marina Silva tem o dever moral de apoiar Dilma e também acredito que ela manterá a coerência para apoiar o candidato que se comprometer com seu principais pontos de campanha. O meu voto, particularmente, não está vinculado ao apoio que ela dará a algum candidato. Na verdade, eu me sinto extremanente feliz por ter votado e por acreditar em Marina Silva, afinal que bom é ter uma ideologia para viver! É como eu li em seu site uma pessoa falando: "Marina recordou "essa estranha mania de ter fé na vida" Boa sorte, Marina Silva! Obrigada , Marina Silva!
"Somos vitoriosos"


http://www.minhamarina.org.br/blog/2010/10/somos-vitoriosos-afirma-marina-silva-em-pronunciamento/